06/03/05

Amar já era.

Mas amar é ser comunista?
-Não!
É ser dono?
-Não!
É ter?
-É!
O quê?
Qualquer coisa.
Amar é ser altruísta?
-Não pode ser!
(Ou és ou não és.
Com ou sem amores.)

Amar já era. Foi.
A dias. Instantes.
Todos!

A poesia

A poesia, ou as tentativas de a escrever, dá um grande jeito é verdade. Convida à preguiça, à não verdade, ao assegurar de que podemos amanhã dizer que aquilo que escrevemos era isto ou era aquilo conforme o que nos interessar ao momento. A poesia não é para levar a sério, ninguém pode concluir que um poeta era uma pessoa assim ou assado baseado naquilo que ele escreveu. Eu não acredito na poesia, como algumas pessoas acreditam. Eu não acredito que os poemas sejam mais do que mnemónicas para quem os escreveu e tenho a certeza que, muito embora sejam escritos sobre factos concretos, mais tarde nem quem o escreveu sabe porque o fez ou a que se refere. Estamos a falar de poetas a sério, daqueles que acordam com os sentires resumidos em pequenas orações que depois vão colocando de forma vertical num papel e que acreditam que é mesmo aquilo que sentem. Eu não gostaria de ser poeta.

05/03/05

O amor morreu

Morreu,
assim de repente.
Sem razão aparente
nem aviso. Nem sinais
nem nada.

Foi-se como veio
destruindo tudo o que encontrou pelo caminho
espalhando o caos e a dor.
Morreu o amor.

Mas não me deixou.
Está aqui ainda vivo e quente
dolorosamente presente.
Sem paixão.
Com tudo.

04/03/05

Síndroma do Coração Partido

Um estudo publicado no New England Journal of Medicine, a revista médica mais importante do mundo, conclui que os desgostos de amor, perdas de pessoas queridas e outros choques emocionais podem desencadear sintomas semelhantes aos de um ataque cardíaco. O fenómeno surge em consequência da libertação excessiva de hormonas do stress (como a adrenalina e a noradrenalina), que reduzem o fluxo de sangue para o coração e provocam sintomas como falta de ar, dores no peito ou batimentos cardíacos irregulares.
A equipa de cientistas da Universidade de John Hopkins, que pesquisou e publicou o estudo, deu um nome a este distúrbio: síndroma do coração partido.

Concluindo: eu só tenho doenças de nome bonito!

28/02/05

Pensamento 1

Para certos homens, ser mulher não custa nada!

24/02/05

Limpezas

Estou no limbo, a tentar limpar o que não tem limpeza. Contudo eu insisto, insisto sempre na esperança de pelo menos tirar um bocadinho de merda. Merda. Hoje estou assim mesmo e até tenho medo de me sujar.

22/02/05

Marias.

Hoje, por ser um dia especial, a minha Ana Miguel quis levar-me o pequeno almoço à cama. No meio de toda a trapalhada que um ser de 4 anos consegue fazer para executar um acto destes, ela disse-me: -Papá tens aqui 2 marias qual comes?
-Como as 2, respondi.

18/02/05

Ante-audiçao.

Confesso que continuo a suportar o som do discurso de Pedro Santana Lopes, não oiço a letra é verdade, mas suporto mais do que qualquer outro. Provavelmente porque sinto que ele se vai calar por muito tempo.

17/02/05


E nós, distraídos, deixámos a coisa acabar sem conseguir um tachinho destes.

Ele há casamentos...

Há acasalamentos destinados ao fracasso logo à partida. Juntar a razão a um animal é uma delas. Ele é intuitivo e faz enquanto ela pensa se isso é o melhor, e já está feito. Ah e as discussões, ele quer fazer, ela diz que não se faz, ele arranja, com a sua lobotomia, uma forma de não ouvir e ela acaba resignada ao eterno: não vale a pena!
O ele faz ela pensa, resume a relação. Por isso se divorciam tanto.
Mas sendo que podendo divorciar-se não se podem separar, para onde vai o animal com a razão? Ou devia perguntar a razão com o animal?


PS - Sim, existem os equilibrados. Mas para serem equilibrados tiverem de descobrir o equilibrio.

15/02/05

O enterra.

Ou o homem se está a vingar ou a alcunha dele é o enterra. Tudo o que deixa que ele chegue perto lixa-se, agora foi o José Barroso a seguir somos nós a receber a cartinha. Livra!


É aqui nesta tasquinha maravilhosa do Ti João com o Tony e o Paulo a ajudarem que vou festejar os meus anos, dia 22 (terça-feira) a partir das 20 horas. A tasquinha chama-se Cova Funda e situa-se no Bairro da Encarnação. Quem quiser aparecer diga antes para marcar lugares.

13/02/05

Que campanha?

Assisto a campanhas eleitorais desde que as há em liberdade no nosso Portugal. Nunca vi nada como as que decorrem no momento, ouvi chamar fascistas, sociais fascistas, salazaristas, contra-revolucionários, etc... mas nada como agora.
Os especialistas falam em anglo-saxonização da campanha e até há quem afirme que assim é que é moderno. Moderno? É moderno boatar sobre as tendências sexuais deste, das dívidas daquele, do que este não é ou do que aquele é? Não aceito.
Eu queria saber se os candidatos têm alguma coisa a dizer sobre a razão que os move para irem a eleições, se querem implementar reformas, se vão fazer alterações políticas, se estão preparados para governar. Mas fiquei na mesma, ou seja fiquei a achar que estes não nos servem, que se perdem nas guerras entre eles e se borrifam para nós. Vou votar sim, mas neles não. E já tenho as ferramentas prontas para o dia seguinte.

10/02/05

Manias

Dizer que sim se apetecer dizer não, não sou capaz. Confesso. Mas há tantas vezes que nos pedem que façamos isso. Por compaixão, por compreensão (?), por tantas coisas. E não custa nada fazer isso, porque não faço pelo menos uma vez? Será fundamentalismo?

09/02/05

Casamento de conveniência.

Vejam porque amo a Bolachinha. Por isto!

Escorre.

A vida escorre assim
a cada suspiro.
Escorre.
Eu não vou com ela
mas se ela
morre?
Ou se a corda parte
e se eu souber?
E nada.
E mesmo que amando
eu souber,
e nada?

E se a vida não corre?

Escorre.

A cada suspiro.

E não morre.

31/01/05

Voto em branco.

Eu tenho um lar, mesa e máquina de lavar roupa. Tenho amor, amores vários e diferentes. Ainda tenho acesso aos hospitais, aos produtos de limpeza, às ondas hertzianas. E tenho sexo e algumas moedas antigas, e livros, e dívidas e tudo.
Vou votar em quem?

Quem e quando escreveu isto?

Pois é tenho uma pergunta para vocês, digam-me lá quem escreveu isto e quando foi que o fez. Há prémios. Ora leiam lá com atenção:

«O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. (...)
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. (...)
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido!»


Pois parece.

28/01/05

A Fraude diz que há uma Mega-Fraude....

O desgraçadinho continua a insistir na martirização, agora considera que existe uma mega-fraude nas sondagens que apontam para o resultado esperado por toda a gente. Já tinham apontado baterias à empresa Eurosondagens com um argumento similar. É triste.
Todos nós temos conhecidos assim, aqueles que só fazem asneiras mas que nunca têm a culpa de nada, há sempre alguém ou alguma coisa que fez com que a asneira acontecesse. A esses costumamos apoiar, aconselhar e esperar que melhorem. Mas um país não pode esperar. E também nunca conheci ninguém como este agora, ele sim uma fraude.

26/01/05

Ai o "Contexto"!...

O "contexto" é um problema. Mais do que isso: o "contexto" farta-se de criar problemas. Mais ainda: o "contexto" é o pai de todos os problemas!
Se não houvesse o problema do "contexto", a nossa vida correria bem. Os políticos diriam coisas lógicas e coerentes. Os governantes anunciariam o que tencionavam, de facto, fazer. Os dirigentes desportivos criticariam o que querem criticar e desculpariam o que querem desculpar. Os comentadores comentariam, os profetas profetizariam, os bloguistas blogariam, e tudo seria aquilo que se dissera que era.
Mas não. Antes do texto, depois do texto, para além do texto - há o "contexto". O "contexto" é que estraga tudo. O "contexto" é que põe uma pessoa a dizer o que ela não disse, ou disse, mas não exactamente assim, ou disse só assim-assim, não com aquela intenção embora com aquelas palavras, quer dizer, disse mas não disse, ou não disse mas disse, e nem queria exactamente dizer...
Sim, eu sei que muitas vezes os jornalistas retiram indevidamente certas declarações do seu contexto e, com isso, cometem abusos de arrepiar. Mas convenhamos que é difícil encontrar hoje, na vida pública portuguesa, umas costas mais largas que as do dito "contexto".
Quando Francisco Louçã tem aquela tirada tão infeliz contra Paulo Portas a propósito do aborto, está bom de ver que as declarações precisam de ser lidas no "contexto". No fundo, o que ele disse seria totalmente diferente se se tivessem transcrito mais cinco minutos de conversa antes e cinco minutos de conversa depois! Se se tivesse mostrado o "contexto". Assim...
Quando Nuno Cardoso, ele que se dizia "muito calmo", perde as estribeiras a propósito de um assunto de justiça e começa a insinuar perseguições de todo o mundo, é óbvio que o momento não pode ser visto isolado do seu "contexto". No fundo, o que ele disse não foi bem o que ele queria dizer, aliás ele quase não disse, apenas sugeriu, e se disse o que disse foi só porque estava nervoso, e quando um político está nervoso já se sabe que até troca o texto - quanto mais o "contexto"!
Quando Santana Lopes fala do "incómodo" causado pelas fugazes férias africanas de Morais Sarmento, é mais que evidente que as suas declarações têm de ser lidas no "contexto". Se calhar o "incómodo" até era por ainda não ter recebido notícias dele, ou por uma pontita de inveja por não ter ido também, ou porque no momento estava mal do estômago, vamos lá imaginar, a palavra "incómodo" pode ser usada por um político, e logo um político eloquente como Santana Lopes, em tantos e tão variados "contextos"...
Quando Rui Rio se escusa a responder a perguntas dos jornalistas, garantindo que eles vão pegar só em algumas das suas palavras (e certamente não as melhores...) para fazer mais uma "intrigalhada" política, é claro que não está para aturar as falhas de "contexto" dos jornais e televisões. Se lhe dessem meia hora em directo na TV ou uma página inteira de jornal dia sim, dia sim, aí é que nós íamos ver o que ele tem de texto para nos dizer!
E etc., etc., etc... Neste contexto, não espanta que nos vá faltando a paciência.

Por JOAQUIM FIDALGO

25/01/05


R.I.P. meu querido Óscar.

Vaga de frio.

Andam agora as televisões preocupadas com o facto de o nosso país ter ou não planos de emergência para a possibilidade de haver uma vaga de frio. Que hipocrisia.
Há dias contava-me a Teresa, professora de inglês, que lecciona em Santa Catarina que os miúdos lhe perguntaram porque não trazia um aquecedor de casa para as aulas, porque outra professora já o tinha feito. Mas os petulantes senhores que nos querem viciar em preocupações procuram planos de emergência. Não há saco!

24/01/05

O Óscar deixou-me.

Hoje estou sem palavras, todos os assuntos esbarram na dor estranha da perda do meu Óscar. Acordei de manhã com o telefone a tocar e estranhei que ele não me desse os bons-dias, nunca mais vai dar.