23/05/08

Professores e alunos, a família.


Na minha família mais chegada, entenda-se isso como os familiares com quem estamos em permanente contacto, eu tenho 4 docentes e 9 alunos. É, por isso, natural que as conversas habituais tenham a escola como tema, o que, normalmente, é muito aborrecido. Quando os sindicatos dos professores engendram aquelas jornadas de luta, como a manifestação deste ano, a coisa ainda fica um bocadinho mais garrida mas de resto é, simplesmente uma chatice; -Porque fui dar aulas de substituição e o colega não deixou plano, porque tive de ir ao médico deixei plano de aula e o colega decidiu corrigir os testes dele e pôr os miúdos a ouvir música, porque a reunião que poderia demorar 45 minutos demorou duas horas devido a um ter estado meia-hora ao telefone e depois aquilo deu uma discussão tremenda, porque a professora de Geografia é surda mas recusa-se a não ter turmas e eu depois levo com os alunos a seguir e eles estão fulos, porque a do conselho executivo protege os amigos, porque o colega de português manda recados na caderneta dos alunos cheios de erros de ortografia e eu como sou directora de turma é que levo com os pais, porque nas férias escolares marcam quilos de reuniões no mesmo dia para ficarem com os outros dias livres e nas últimas horas já ninguém diz coisa com coisa. - esta é a parte dos docentes.
Os alunos queixam-se menos limitando-se quase sempre a testemunhar o que se passa com eles em relação a cada exemplo dado pelos pais, tios e irmãs. Fazem-no sempre sem grande entusiasmo e demonstram um afastamento da escola deveras preocupante. Quem mais demonstra amor pela escola é a minha filha Ana Miguel que tem 7 anos e está no 2º ano, a razão de gostar tanto de ir e estar na escola é, em grande parte, porque tem grande facilidade em construir amizades e porque a maioria dos colegas já andavam com ela na pré-primária. A Ana Miguel no 1º ano teve uma professora que andava zangada porque não conseguia a reforma por invalidez. Enquanto deu aulas faltava constantemente para ir a juntas médicas, ficava muitas vezes com baixa médica e lá acabou por ser reformada no princípio do 3º período. A Ana, quando a professora não vinha, era distribuida pelas outras classes e grande parte das vezes ficava no recreio com outras colegas. Ainda lhe deram uma 2ª professora, para o resto do último período de aulas, que estando em adiantado estado de gravidez não conseguiu terminar o ano escolar. Este ano a Ana Miguel teve uma nova professora, uma mocinha bonita com algumas ideias boas de quem está a começar, e todos, pais e alunos, estavam muito contentes. O azar é que a mocinha, com todo o seu direito, decidiu casar e a partir daí as aulas passaram a ser autênticas preparações de casamento para os miúdos. Ela falava-lhes do vestido, da igreja (até os convidou todos a lá irem), do copo-de-água, enfim mostrou-lhes toda a excitação do momento em que vivia o que deixou pouco espaço para leccionar. Para compor o ramalhete adoeceu durante a lua de mel acrescentando, assim, mais uns dias à licença de casamento. Ou seja a Ana Miguel não tem aulas há 1 mês, continuando, como no ano anterior, a ser distribuida pelas classes dos outros anos.
A Ana Miguel vai ser mais uma auto-didacta ou mais uma despreparada no ciclo que se segue, ou ambas as coisas.
Agora digam lá baixinho de quem é a culpa.

22/05/08

Rascunhos.

Ando para aqui a escrever, escrevendo como se estivesse a jogar o "pacman", letrinha atrás de letrinha sempre com medo que a que persegue apanhe a da frente, e nada...
Ou seja ou Blogger salva rascunhos automaticamente e os escritos vão-se, para ali, acomodando.
Acontece-me isto várias vezes. Há assuntos que gosto de discutir comigo, antes de falar deles com alguém. É estúpido mas faço-o. Normalmente quando, por fim, ponho o assunto em discussão, aparece um marmanjo que diz que isso resolve-se na boa sem fazer nada do que pensei fazer e eu remartirizo-me. E sou assim há uma data de anos.
É o que tenho feito nestes dias, encontros, reuniões, almoços e rascunhos. Bué de rascunhos.

20/05/08

Porque será?

Ainda ninguém achou estranho a forma abrupta e completamente religiosa como o José Pacheco Pereira se transformou no Sancho Pança da Manuela Ferreira Leite?

Mudei.



Já há alguns anos atrás em que o pessoal que me acompanha tem por costume avisar-me: -Não deixes isso aí que ainda desaparece; -Então tu vais lá dentro e deixas isto aqui?; -Onde é que deixaste a mala? - e muitas afirmações deste tipo.
A verdade é que não tranco a porta do carro para ir ao café, nunca retirei o frontal do auto-rádio, chego a qualquer lado pouso o saco e vou à vida (nos festivais é certinho), não confiro trocos, e mais um sem número de "coisas espertas" desse género.
Há dois dias senti que mudei. Voltei para trás num café do Parque das Nações quando ia lá dentro e deixei a mala na esplanada.

19/05/08

OBRIGADO SPORTING!


Sou do Sporting, mas como dizem os amigos, sou um sportinguista à minha maneira. Não sei o que é que isso quer dizer, mas sei como sinto o clube, aliás o desporto, onde aquelas camisolas estão representadas nalgumas modalidades. O Desporto de competição atrai-me realmente e ainda recordo quando passava fins de semana inteiros a ver a TV2, andebol, hóquei em patins, atletismo, natação e por aí fora; sabia os resultados, conhecia os campeões, as marcas, enfim...
Uma das coisas que facilmente entendi é que nos desportos colectivos os jogos são muito mais interessantes quando há rotatividade de vencedores, quando ganha sempre o mesmo aquilo fica parecido com o triatlo em que o meu motivo de interesse é tentar perceber se a filha do Venceslau já trocou o aparelho dos dentes, o que não é nada fácil devido à Vanessa estar sempre em movimento. Desta forma eu considero que a época sportinguista, no futebol, foi muito boa.
Em Portugal não existem mais que 4 ou 5 clubes com estrutura para ganhar alguma coisa no desporto-rei. 3 são sempre as mesmas, Porto, Benfica e Sporting, as outras depende da época de cada uma.
O Sporting nesta época venceu a Supertaça e a Taça de Portugal, foi segundo classificado no campeonato nacional e na Taça da Liga e ficou entre os 8 melhores "Uefeiros". O F.C.Porto, por exemplo, venceu o campeonato nacional, ficou em segundo na Supertaça e na Taça de Portugal e falhou inexplicavelmente na Champions e na Taça da Liga. Se eu apresentasse uma classificação para 2007/2008 colocaria em 1º F.C.Porto e Sporting 3º Vitória de Setubal e 4º Vitória de Guimarães e mesmo assim, matematicamente estou a ser injusto com os leões.
O meu clube não tem mais do que 8/9 jogadores categorizados para vencer um campeonato com 30 jogos, basta que um ou dois se lesionem ou sejam suspensos para que deixe de haver equipa. Clubes como o Benfica ou o Porto têm 14/15/16 jogadores e isso faz toda a diferença. Têm dinheiro para os adquirir e é justo que o façam, são mais ricos o dinheiro comanda o futebol e está certo, absolutamente certo. Eu amo o meu clube mas sei o que ele vale, sinto orgulho pelo Luís Figo, Cristiano Ronaldo, Simão Sabrosa, Ricardo Quaresma, Carlos Lopes, Pereirinha, João Moutinho, Miguel Veloso, Nani e tantos outros. Contudo, tenho consciência que dificilmente a maioria desses grandes jogadores podem jogar no clube que os formou quando atingem a plenitude das suas potencialidades, nem seria justo para eles. É assim no futebol e em quase tudo na vida, tem quem pode pagar. POR TUDO ISTO ESTOU FELIZ COM O MEU SPORTING!!!

Na mesma ordem de ideias faz-me uma tremenda confusão quando os comentadores desportivos da nossa terra exigem, por vezes de forma pouco ética, que a nossa selecção ganhe tudo. O nosso país não passa de um pequeno clube, que tal qual como o Sporting tem 8/9 jogadores de categoria superior mas não tem mais do que isso, porque é pequeno, porque não é rico em estruturas, porque é simplesmente e só Portugal. A nossa presença nas últimas fases finais já deveria ser motivo de orgulho para todos nós ou será que eles se esquecem que existem Inglaterra, França, Espanha, Holanda, Itália, Alemanha, Rússia, etc... com muito mais história e poder que nós?

16/05/08

Ai a criançada.


Sexta-feira sem ter de inventar actividades para a criançada, uma tem sarau, outro teatro, outra os anos da coleguinha e uma, maior, a fazer chill out no "sabor a praia". Amanhã há a mariscada na Costa e domingo seria o descanso, porque não me marcaram nada para o fim de semana. Porreiro, finalmente tudo indicava que a coisa ia ser fácil. Puro engano, todos querem ver todos e então eu para além de ir levar e trazer ainda tenho que me dividir entre Alhandra, Alverca, Santa Apolónia e Benfica, no intuito de conseguir que todos se vejam pelo menos um bocadinho uns aos outros. Na próxima encarnação quero outra vez ter muitos filhos mas se calhar é melhor que sejam todos da mesma mãe e não todos de mães diferentes, como é o caso. O pior é que eu, ainda por cima, adoro isto.

E não é?

CORROMPER UM ÁRBITRO É UMA ESPÉCIE DE AMOR
João Miguel Tavares
Jornalista
jmtavares@dn.pt

Os clubes têm-se profissionalizado, a Liga está a fazer um esforço de transparência - mas para o futebol português a civilização ainda é um lugar distante. E por isso, toda a gente acaba por atribuir uma espécie de "desconto moral" a quem se move no mundo da bola, aceitando-se um bocadinho menos de honestidade e um bocadinho mais de baixaria. Só assim se explica que Jorge Nuno Pinto da Costa tenha sido considerado culpado de actos de corrupção pela Comissão Disciplinar da Liga de Clubes mas ninguém se tenha atrevido a questionar a sua continuidade à frente da SAD do FC Porto. Sabe-se que durante dois anos não se vai poder sentar no banco da equipa nem assinar contratos, mas propor a demissão de sua santidade para preservar a imagem do Porto seria sacrilégio digno de lapidação na praça pública.

O DN ouviu na quinta-feira Guilherme Aguiar sobre o papel que Pinto da Costa pode vir a desempenhar na SAD, e o ex-dirigente do FC Porto foi claríssimo: "Esta é uma suspensão de actividade igual às que se destinam aos jogadores quando são suspensos por um ou dois jogos. Não podem jogar, mas podem treinar." E quanto aos 50 mil euros que ele recebe mensalmente? É para pagar: "Os jogadores também continuam a receber." Ora aqui está uma bela comparação. Para Guilherme Aguiar, corromper um árbitro é assim como enfiar uma canelada num adversário, ir para a rua, e ficar uns jogos de fora. Um acidente de percurso, portanto. Uma entrada violenta, no máximo. Coisas do futebol.

Suponho que a maior parte dos sócios do Porto considere uma de duas coisas. 1) Que tudo isto não passa de uma cabala contra o líder dos dragões patrocinada pelo Benfica. 2) Que as actividades ilícitas do seu presidente são apenas mais uma manifestação de inabalável portismo. Afinal, Pinto da Costa e o FC Porto confundem-se numa história de inegável sucesso desportivo. Mas a complacência com a corrupção é um espinho que infecta todo o futebol português. A verdade é que ninguém realmente acredita que a viciação de resultados tenha começado na época de 2003/2004. Aliás, pagar para ajudar o Porto em 2004 - para quem não se recorda, a época áurea de José Mourinho, que acabou com a conquista da Taça dos Campeões - é tão absurdo quanto Francis Obikwelu subornar um coxo para lhe conseguir ganhar numa corrida de 100 metros. Simplesmente, quando é longa e vasta a tradição de trafulhice, os maus hábitos custam a morrer. E nesse singular ecossistema chamado futebol, ainda há quem ache que corromper é apenas uma forma - um pouco atrevida, vá lá - de manifestar o amor a um clube. Em vez de se enrolar um cachecol ao pescoço de um adepto, enrola-se uma prostituta ao pescoço de um árbitro. Faz alguma diferença? Se Pinto da Costa se mantiver à frente do FC Porto é porque, lá no fundo, no fundo, não faz.|

15/05/08

Quinta dos Silvas.


Em 1995 gravei um tema no "Benditos Sejam" que se chamava "Quinta dos Silvas" e a letra que fiz dizia assim:

Na quinta dos Silvas
anda tudo mal
o piolho é muito
lá no laranjal.

A colheita é pobre
nem dá para vender
nabos é que há muitos
mas ninguém os quer.

Tomates não há
mas sempre faltou
laranjas ainda há muitas
mas o sumo já secou.

E fogem os ratos
só ficam os barões
à espera que os parvos
lhes devolvam os galões.

(E mesmo trocando de capataz,
não há cultura que aguente!)

Como é possível que 13 anos depois eu ainda possa cantar isto?

14/05/08

Sempre a dar ritmo à nossa alma.

Trabalhos...


A frieza que queima, tem andado comigo ultimamente. Mesmo achando tudo natural e fazendo parte da (minha) vida, acordo já atrasado para algo que foi marcado num dia qualquer, falta sempre aquele bocadinho de tempo para o almoço com tantos, para o abraço ao amigo sapateiro, o beijinho às meninas do salão, o convívio com a querida vizinhança. Porquê? - Não sei. De repente as horas do dia encolheram imenso e eu já quase nem tenho tempo para divagar, para atear fogaças, para abraçar e para distribuir carinhos.
Estou triste por isso, acho que sou eu quem mais falta sente e provavelmente ninguém repara. Peço daqui perdão a todos mas preciso construir e a construção rouba tempo e exige muito de mim. Um dia volto-vos a dar tudo de novo, em dobros prometo eu.

Aqui também já não se faz nada, que pena!

11/05/08

Jornal da Guarda

Entrevista com ZÉ LEONEL (Fundador dos Xutos & Pontapés)

Zé Leonel foi fundador dos Xutos & Pontapés, embora tenha pertencido pouco tempo à sua formação. Mais tarde fundou outras bandas, entre as quais os Ex-Votos que gravaram uma série de álbuns. Foi um dos pioneiros do Punk Rock português, ainda nos anos 70. Concedeu-nos esta entrevista.

P:Como foram os primeiros tempos do Punk em Portugal, uma vez que tu estiveste envolvido no movimento, nomeadamente com os Faíscas?

R: Pois, o Punk, para mim, não me trouxe nada de novo. “A Família, a Igreja, a Polícia e o Estado são um quadrado.” – Isto era o lema Punk, mas antes do Punk já era o meu. Nunca vivi com pai e mãe, não era baptizado pela Igreja e por isso excomungado por ela, estava sempre a comer porrada da Polícia e o Estado nunca me defendeu. Por isso para mim não só era fácil ser Punk como dava cartas nessa área. Nos Faíscas era apenas isso, uma espécie de megafone entre o público a realçar as palavras de ordem (a minha função nos Faíscas era ser o “animador cultural”).

P:O primeiro concerto dos Xutos & Pontapés aconteceu nos Alunos de Apolo, na comemoração dos 25 anos do Rock’n’Roll. Como foi esse concerto, hoje mítico, já que se estreou a tua banda e aconteceu o último concerto dos Faíscas?

R: Foi algo que aconteceu, em 13 de Janeiro de 1979, a uma velocidade superior ao que a mente consegue processar. Sei que tocámos temas como: “A Tua Namorada”, “Não Me Chames Herói (Chama-me Nº 1)”, “Sexo”, “O Freak e a Freak”, “Sacaninha”…mas pouco me lembro mais. Por outro lado não me esqueço que consegui ir a umas escadas próximas dar uma queca na Cristina e que um repórter se zangou comigo por eu, em cima do palco, ter dito que comia a namorada dele.

P:O que achas do “cliché” que afirma que Rui Veloso é o pai do Rock português?

R:Francamente, quem é que liga a isso? Ninguém… Nem o Rui tem a culpa disso. São estratégias de “marketing” que caíram em cima dele mas que poderiam calhar a outro qualquer.

O boca doce é bom é bom é, mas quem é o boca doce?

P:A vida de músico era difícil nos anos 70 do século XX. O “boom” do rock português fez com que muito mais gente se interessasse pelo fenómeno. Qual é a tua opinião sobre o “boom”?

R: A vida nos 70’s era complicada, sim, mas verdadeira. Lembro-me de ir com um micro, um cabo e um amplificador de guitarra, no metropolitano a caminho da Escola António Arroio, e era isso que ia ser o meu P.A.

Com o “boom” as condições alteraram-se muito, mas a balda também. Dantes éramos músicos sem máquinas, hoje há muitas máquinas sem músicos.

P:Os Xutos & Pontapés conseguiram, numa carreira com quase 30 anos, um sucesso que mais nenhuma banda nacional conseguiu. Sentes orgulho por ter sido um dos fundadores dos Xutos?

R:Sinto orgulho de ter fundado a “chispalhada” (Xutos & Pontapés), mas também sinto por ter estado na génese dos Heróis do Mar e dos Peste & Sida e de ter feito os Amor de Perdição e os Ex -Votos, para além de dar as duas mãozinhas aos miúdos que começam agora. O Rock, para mim, não é um negócio; é uma opção de vida – o amor!

P:Os Ex-Votos estão numa espécie de “licença sabática”. Estará para breve o teu regresso à música e aos discos, com os Ex-Votos ou com outra banda?

R:Estou a trabalhar, eu estou sempre a trabalhar. Podem reaparecer os Ex – Votos, pode nascer o meu projecto final: Zé Leonel + IVA ou pode avançar outra coisa qualquer. As coisas aparecem quando eu sinto que fazem falta. Enquanto isso junto pessoal no estúdio e vamos descarregando a adrenalina e o amor pelo barulho.

P:Como vês, hoje, o Rock em Portugal?

R:Portugal tem dos melhores músicos do mundo conhecido. Os melhores músicos do mundo não se vendem, acho que têm a paranóia da prostituição, por isso o nosso Rock tem de tudo: -grandes personagens que serão historiados daqui a umas décadas e muitos, imensos, pára-quedistas que ganharão muito dinheiro, mas de que ninguém se vai lembrar no futuro.

O Rock, esse, façam o que fizerem, já conquistou a imortalidade; em todo o mundo.

P:Haverá alguma história engraçada das tuas andanças de músico que queiras partilhar com os leitores do “Nova Guarda”?

R:23 de Setembro de 1995, Plaza Real em Barcelona. Os Ex – Votos partilhavam o palco com os Coldplay num concerto inserido no BAM’95. No meio da actuação apercebo-me que uma quantidade de miúdas, vestidas de modo parecido, se começam a deslocar para o local por onde eu tinha de sair do palco. Quando acabou a actuação começo a fugir na direcção do hotel, mas quando percebo que elas também vêm a correr virei por uns atalhos na tentativa de lhes trocar as voltas. Algum tempo depois, estava derreado sem saber onde estava nem onde ficava o hotel. Entretanto, como eu não aparecia, os restantes músicos da banda chamaram a polícia. Mais tarde explicaram-me que as “groupies” em Barcelona viviam aquilo como uma espécie de profissão em que a ideia era sacar um artista e estar com ele o maior número de tempo possível, só para partilharem a vida dele. Para português, como eu, era estranho. Foi engraçado, pelo menos para mim, porque nunca me senti tão confuso.

10/05/08

O ponto morto da mente.


Estive a ver atentamente Bob Geldof a falar das coisitas dele e achei curioso. O gajo decorou nomes, tratados, datas, locais; não mentiu, falou de negócios, disse que vivia bem, gostei. Gostei, acima de tudo, da forma como abordou os temas e como foi inteligentemente honesto. Ele poderia armar-se em herói, mártir, ou uma coisa entre as duas o que é muito comum nos representantes das ONGs, mas não. Disse que vivia bem, que curtia mesmo quando estava preocupado e abordou a musica que não sai. Foi nesta parte que mais me admirei porque tinha no meu imaginário que Bob Geldof como músico tinha sido uma "fézada" dos anos do punk e que mais nada haveria a acrescentar. Enganei-me, o homem conseguiu explicar exactamente aquele estado mental onde acontece a criação ilustrando que é a altura em que o consciente e o subconsciente entram em ponto morto. Falou que em tempos, forçava com café o ficar acordado de noite e esperava pela altura em que o subconsciente se sobrepunha ao consciente (mentes objectiva e subjectiva - na minha versão) e disse, que era aí, quando as confusões da vida ficavam diminuidas, que lhe saía algo criativo. Acrescentou depois que quando lia o produto desses momentos, normalmente, achava que aquilo não fazia qualquer sentido. Meu Deus, mas o que ele disse é o que eu explico há tantos anos e nunca consegui ser tão claro. Se não fosse por mais coisa nenhuma, só por isto, bem hajas BOB GELDOF.

08/05/08

Para treinar a selecção:


A Judite é que era, ai não que não era.

Seguros, claro...


A ideia que temos de uma aldeia global segura, não é bem isso. A Yola Figueiredo, a dentista, que a GDA me arranjou, é no Laranjeiro. Saio de casa com 1 hora de antecedência para esperar mais de meia hora, é meu, sou assim. Pelo caminho confirmo o almoço com o Xilas, ele acabará por me ligar quando eu estou de boca aberta com 2 aspiradores e uma broca lá dentro. Mas atendi.
No prédio dele estava um polícia ensanguentado junto à porta do elevador, não morto segundo as notícias. O André estudava djambés com imagens da Guiné-Bissau eu e o Xilas fomos para o escritório tocar numa acústica com o braço mais grosso que o meu, foi bonito. Amo o Xilas. Passámos, antes de ir, pela loja-bar de um indiano que troca moedas e joga matrecos connosco, convida e joga snooker connosco. O polícia ia marando. Alguém entra e diz: -Ainda dizem que o bairro é que é mau... O Xilas ri-se.
E isto é mesmo ali...

07/05/08

Para presidente do PSD:

A Judite é que sim, ela é que ganhava aquilo.

O novo transportador:

Agora sim, cabemos todos num só carro.

Finalmente:

Finalmente consegui divorciar-me do Jeep. O amigo Fernando Rodrigues, conseguiu-me o carro que eu queria e recebeu-me o "mal-amado" por mim: Opel Frontera.

06/05/08

Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável

Bob Geldof acusa dirigentes de Angola de serem criminosos

06.05.2008 - 16h02 Lusa, PÚBLICO

O músico e activista Bob Geldof afirmou hoje em Lisboa que Angola é um país "gerido por criminosos", palavras que levaram o embaixador angolano na capital portuguesa a abandonar a sala.

Bob Geldof, nascido na Irlanda e que começou a carreira como jornalista musical, falava esta manhã no Hotel Pestana Palace, na conferência sobre Desenvolvimento Sustentável organizada pelo Banco Espírito Santo e pelo jornal "Expresso", dedicando uma intervenção de cerca de vinte minutos ao tema "Fazer a diferença", no fim da qual o embaixador angolano, Assunção dos Anjos, abandonou a sala.

Quando se referia às relações históricas e culturais de Portugal com o continente africano ("vocês serão uma voz importante no século XXI", disse para a assistência), Bob Geldof fez uma pausa e virou o discurso para Angola.

"Angola é gerida por criminosos", acusou o organizador do Live Aid e do Live 8, que antes foi também um músico bem sucedido. "As casas mais ricas do mundo do mundo estão na baía de Luanda, são mais caras do que em Chelsea e Park Lane", apontou, estabelecendo como comparação estes dois bairros luxuosos da capital inglesa.

"Angola tem potencial para ser um dos países mais ricos do mundo", frisou Geldof, considerando que aquele país africano tem, designadamente, potencial para "influenciar as decisões da China".

Relativamente a Portugal, o músico irlandês considerou que o país deve ser um parceiro de Angola devido ao seu passado, e acrescentou que tanto Portugal como Espanha e Itália "serão os primeiros [países europeus] a sofrer o impacto de qualquer problema em África".

E Portugal deveria ter especial interesse em promover o "desenvolvimento em África", já que tem "uma economia muito vulnerável, uma economia que depende do clima e está paredes-meias com África", salientou.

"Estamos (os cidadãos europeus) a 12 quilómetros de África", disse Geldof antes de questionar "Como podemos não nos questionar?". Para Bob Geldof, através da capacidade de acção em África, a voz de Portugal pode ser "decisiva na Europa, que por sua vez é ouvida no mundo".

Bob Geldof reuniu em 1985 a elite do rock para tocar num concerto transmitido para mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo, o Live Aid. Antes, em 1984 tinha reunido várias estrelas no single "Do They Know It's Christmas?", que angariou verbas para o combate à fome que então devastava a Etiópia. Em 2005, os concentos Live 8 tiveram lugar em Londres, Paris, Filadélfia,Roma e Berlim.

A assistir ao discurso de Geldof hoje de manhã em Lisboa estavam dezenas de pessoas, entre as quais os embaixadores do Reino Unido, da Irlanda, de Marrocos, da Argélia e de Angola, que abandonou o local após as suas palavras e antes do fim de todas as intervenções da conferência e do almoço que se seguiu.

Disparate do dia.

Porque não jogo, mister? - pergunta Makukula a Fernando Chalana.

Então o rapaz não sabe porque não joga? É mau. E pior é que, provavelmente, está mais longe do Euro-2008, mas não viu isso quando saiu do Marítimo?

05/05/08

Saudade


Não há festa como esta, diz-se...

Grande melão. (E à segunda-feira?)

Detective de infidelidades foi traído pela própria mulher


PEDRO VILELA MARQUES
Mário Costa, mediático detective privado conhecido por investigar casos de infidelidade, foi detido sexta-feira, depois de ser denunciado à polícia pela própria mulher... após tê-la surpreendido a traí-lo. Esta é a sua explicação para o sucedido: "Apanhei-a com outro".

O detective espera agora que o tribunal o considere inocente nas acusações de escutas telefónicas ilegais e devassa da vida privada. Habituado a descobrir casos amorosos alheios, Mário Costa só se terá apercebido da infidelidade da mulher - "ela já me conhecia os truques todos", admite - depois de alertado pela mãe.

Entre os objectos apreendidos na casa e no escritório do detective, ambos na Amadora, a PSP encontrou uma carteira profissional de jornalista falsificada, que ele diz ter encontrado na rua, e um microfone da RTP, que garante nunca ter usado. Já o arsenal tecnológico apreendido serviria apenas para "impressionar os clientes, técnica de marketing".

É que o trabalho de um detective faz-se essencialmente através da vulgar perseguição. E serviço não falta. Mário Costa trabalha sete dias por semana e afirma receber cerca de dois mil euros por mês "sem grande esforço". Neste momento tem três casos entre mãos, pagos a 50 euros à hora, e já percebeu que eles apontam para traições. Mas será que existe um padrão nos casos de infidelidade? "Claro que existe", responde, solícito, ao DN. "O padrão é encornar! As mulheres geralmente precisam de um motivo, seja falta de carinho ou eles serem maus pais. Já os homens são todos iguais, não precisam de justificação", adianta o verdadeiro especialista, que teve muitos casos em que as desconfianças dos maridos se revelaram completamente falsas e resultaram de "filmes nas cabeças deles".

Fenómeno que não escolhe posição social, a infidelidade ganha maior força depois do Verão e das férias do Natal, da Páscoa e às... segundas feiras. "São as alturas em que os casais passam mais tempo juntos e se fartam uns dos outros, depois é um vê se te avias", comenta o detective. Advertência para a época que se aproxima. |

A bola cá da terra.

Rui Santos aquele grande comentador nacional, que cada vez vemos ou lemos mais, apregoa que não se vende, nem faz favores, nem está ao serviço de ninguém. Eu acredito no que ele diz, só me faz confusão o facto de ele dizer isso constantemente como se as pessoas a quem se dirige tivessem muitas dúvidas. Pessoalmente acho, também, que o Rui já esgotou o stock do que tinha de interessante para nos dizer, esta semana descasca no Benfica, porque está farto de descascar no Sporting, depois vai ser o Porto, seguidamente vai dizer bem de todos e lá anda ele à rodinha sem fazer favores a ninguém. Eu precisava de um grande favor do Rui, precisava que ele não alinhasse no folclore dos apitos dourados, resultados combinados, árbitros tendenciosos. Eu precisava que ele não passasse o tempo a falar das finanças dos nossos clubes como se fossem clubes ricos que ninguém sabe gerir. Eu precisava de ajuda para demonstrar o que é real desde há muitos anos, os males do futebol têm de ser imputados a todos os dirigentes, empresários, legisladores, todos. Andarem a acusar Valentim, Pintos da Costa ou de Sousa, Vale Azevedo; hoje uns amanhã outros, só mantém o mal, quase que o desculpa. Enquanto as pessoas se mantêm entretidas a "descascar" nesses prevaricadores tudo continua na mesma.
Fico preocupado quando se acusa alguém de tentar comprar um árbitro e se considera que isso é que é o mal do futebol, será? Fico preocupado quando me apercebo que há quem se arvore de defensor da bola, saiba o que está mal, mas não diga mais que vulgaridades, mesmo que de vez em quando toque ao de leve no verdadeiro mal.
A minha opinião é que toda a estrutura que tem nas mãos o desporto-rei ( Liga, FPF ) está ferida de morte. Mudaram-se dirigentes, criaram-se SADs mas os males continuam onde estavam. O F.C.Porto aproveitou melhor do que ninguém os podres criados, é por isso que ganha mais do que os outros.
Os clubes podem emprestar quantos jogadores quiserem, a quem quiserem e se souberem gerir isso bem estão a falsear os resultados, com toda a legalidade. Como é possível que se critique o F.C.Porto por ter muitos jogadores e não se perceba o que o clube faz com eles? Quantos pontos deu Cláudio Pitbull ao seu clube, estando a jogar no Vit. de Setúbal? (*)
Pode haver dirigentes que são simultaneamente directores num clube e detêm uma posição maioritária noutro clube que participa no mesmo campeonato que o primeiro. É ilegal que um dirigente, nestas condições, tenha interesse que ganhe um dos clubes, quando os dois se defrontarem? E isto não é falsear resultados? É, mas com toda a legalidade.
Um emblema pode apresentar um plantel a disputar qualquer campeonato, cujo valor é impagável pelas posses do clube, ao fim de 9 meses os jogadores fazem greves, queixam-se na comunicação social e os dirigentes lamentam muito. Contudo já garantiram a manutenção. No mesmo campeonato outro emblema só apresenta os jogadores que pode pagar, tem as contas em dia, mas desce de divisão. Isto não é falsear resultados? É, mas não acontece nada a quem faz batota.
Estes e outros males é que teriam que ser sarados definitivamente, apitos dourados, tretas de arbitragens e outros filmes só servem para distrair e não resolvem nada na bola cá da terra.

(*) este é apenas um exemplo actual, mas todos conhecemos centenas.

Este Luís...

Um casal irlandês estava a entrar, na noite de sexta-feira, num hotel em Vilamoura, quando, visivelmente embriagados, caíram desamparados. Com eles seguiam os 3 filhos de 1, 2 e 6 anos. Chamada a GNR o casal foi para o centro de saúde e as crianças para o Refúgio Aboim Ascensão. No Sábado os pais foram buscar as crianças.


O director do Refúgio Aboim Ascensão, psicólogo Luís Villas-Boas, disse que iria entregar os meninos mas que por ele ficava com as crianças no Refúgio pelo menos 3 dias, porque ficava mais descansado, porque aqueles pais blá blá blá...
Não é a primeira vez que este psicólogo me deixa apalermado, foi assim, também, com a Esmeralda, por exemplo. Vejo nele uma atitude justiceira em relação aos pais que fazem disparates e que são absolutamente criticáveis, mas tenho grande dificuldade em detectar aquele "superior interesse da criança" que ele tanto fala e que hoje está na moda, mesmo sem ninguém saber muito bem do que se trata. Não consigo entender a vantagem para as crianças de ficarem mais 3 dias separadas dos pais, num país que não é o deles, com uma língua que não é a deles e depois do que deve ter sido um enorme susto. A menos que no superior interesse das crianças elas tenham que ficar de castigo por os pais terem feito porcaria.