07/01/09

Temos casas até 2050

06.01.2009 - 17h48 Miguel Esteves Cardoso
É bom, em tempos de míngua, termos coisas a mais. É é doce quando também temos mais do que os outros. As riquezas portuguesas - desde os Tawnies de Vila Nova de Gaia às pinturas de Vila Nova de Foz Coa - são sempre surpreendentes (o que não surpreende) e sempre de revelação tardia.

Tanto é assim que chega a ser monótono. Naquele tom "What is it now?" de quem já foi abrir a porta 20 vezes, perguntemos então que temos nós a mais agora? Casas. Casas aos montes. Ao pontapé. Casas a dar com casas. Aliás, na União Europeia somos o n.º2 em casas a mais.

Só há um outro país com um excedente maior de casas do que nós. Qual é? Não sei. A bela reportagem de Sara Dias Oliveira no PÚBLICO de ontem não diz. Mas desconfio que não gostava de lá viver. Tem-se medo que seja lá mais para os lados da Boratlândia.

Não. Prefiro ficar aqui. Chegam-me as casas que temos a mais aqui em Portugal. Segundo a tese de mestrado de Fátima Moreira - e o que seria de nós se não fossem as teses de mestrado? - o excedente de casas manter-se-á até 2050.

E em 2050, o que vai acontecer? Ou a partir de 2050? Ninguém sabe. Deveremos comemorar esse dia em que o número de casas corresponderá exactamente às nossas necessidades? Ou devemos antes começar já a preocuparmo-nos? E começar já a construir, com muita calma, como quem não quer a coisa, mais umas casitas?

Não vá a nossa vantagem esboroar-se.
Escritor

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