29/10/04

Tanto que fazer...

Pois é tenho tanto para dizer, mas estou tão ocupado. A Ana Mayoz argentina chegou. Tenho-a a ela e ao Baco. O Baco é giro.
Amanhã contarei tudo ou só na 3ª Feira. Beijinhos e abraços.

28/10/04

O Portugal profundo.

António Caldeira, professor universitário de Alcobaça, tem um blog chamado Do Portugal profundo. Este Prof. escrevia ultimamente demasiado sobre o caso Casa Pia. A PJ acompanhada por um procurador-adjunto do MP foram a casa do Prof. e da mãe deste, fazer uma busca e apreender disquetes, cds e computadores.

Adicionei na zona de Blogs do Boomerang o blog de que falamos, quem quiser acompanhar melhor basta clicar em oportugalprofundo.

Eu dixit:

Acredito no Prof. pronto! Acho até que toda a gente sabe isso e que essa foi a razão porque a maioria aceitou a ida do Engº Paes do Amaral e não permitiu a do Prof. Marcelo.

Vou tratar do cartão eleitor!

27/10/04

Engº Paes do Amaral dixit

Afinal não há censura, nem pressão nem nada disso. O Prof. só disse mentiras.

Vou ao médico!

Prof. Marcelo dixit

Afinal a censura existe, o Prof. Marcelo foi pressionado e acabou de explicar tudo.
Que vamos fazer agora?

26/10/04


Ainda não se sabe, embora se suspeite, quem vai ganhar as eleições nos EUA, mas já se sabe que nada mudará muito, ganhe quem ganhe. Posted by Hello

Vida

Viver em espanto, dizer que não sei como fiz aquilo ou como fez ele aquilo, duvidar para procurar certezas, ser interventivo, sonhar, amar muito, ouvir mais, sentir, provocar - tudo isto são coisas que gosto.

Mas como se pode, com este tempo, ir à erva para os coelhos sem molhar um pouco as calças?

25/10/04

Bom dia.

Eu tenho uma psicóloga com quem me reuno às segundas feiras, quando não falto. É divertido, não vicia e confesso que gosto de lá estar com ela. Ultimamente a Drª. criou uma nova modalidade a que chama: trabalho para casa. Faz assim: dá-me dois ou três motes e manda-me pensar nisso em casa para discutirmos na reunião seguinte. Não tem sido muito difícil mas hoje, tudo se complicou. Hoje deu-me como motes 3 assuntos para eu pensar e discutirmos para a próxima:
1 - Porque é que as minhas relações amorosas não têm sido estáveis?
2 - Porque é que eu tenho sempre os outros como preocupação primeira, esquecendo-me de mim, mas depois me auto-acuso se algo não corre bem?
3 - Porque é que as mulheres que se aproximam de mim acabam sempre por desejar ter um compromisso comigo?

Não consigo fazer este trabalho de casa, alguém me pode dar umas dicas?

22/10/04


Eis uma banda de 1ª grandeza no nosso mercado musical quando dava os primeiros passos. Refiro-me a? Posted by Hello


E faltava a Joana. Posted by Hello

CAIXA DO CORREIO (O que eles dizem)

Exmo. Sr. ou Sr.ª: Vem isto a propósito do caso Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Nasci e tenho vivido num pequeno concelho (Pombal) do Litoral-Centro (Distrito de Leiria). Não milito em nenhum grupo partidário. Sou um simples cidadão nascido seis anos antes do 25 de Abril de 1974. E como cidadão, ingénuo a pensar que haveria liberdade de expressão e de opinião, criei em Julho passado um "blog" na Internet que pretendia ser um espaço de reflexão e de debate de ideias, com críticas construtivas, sobre o que está a acontecer na minha Terra. Nomeadamente sobre a actividade da respectiva Câmara Municipal e outras instituições. Esse "blog" num espaço de dois meses registou mais de 6.700 visitas, tendo sido comentado em grande número por outros cidadãos/munícipes. A respectiva autarquia, presidida pelo social-democrata Eng. Narciso Mota, nunca usou o princípio do contraditório. Apesar de reconhecer que alguns dos temas abordados tinham a sua veracidade, alterou alguns procedimentos, dando razão ao que por lá se escrevia. Reconhecendo que o "blog" era incómodo para o Poder (leia-se, Câmara Municipal), o senhor presidente entendeu que a melhor forma de usar o "contraditório" era acabar com o mesmo. Vai daí, entrou em contacto com a direcção/administração da empresa onde eu trabalhava e denunciou a sua existência, fazendo ver que o "blog" era "gerido" em horas de expediente. A direcção da empresa de imediato, e justificando que aquela situação lesava a relação institucional com a Câmara Municipal, até porque necessitava desta para legalizar algumas situações pendentes, despediu-me. Isto, não argumentando com falta de profissionalismo ou de produtividade. Mas sim, porque o senhor presidente da Câmara assim os contactou para o efeito. Esclareci a situação e comprometi-me a eliminar de imediato o "blog", o que foi feito e aceite. Precisamente um mês depois, e pelo meio alguns encontros realizados entre o presidente da Câmara e a direcção/administração da empresa, fui novamente confrontado com o despedimento. E perante duas opções: instauração de processo disciplinar ou demissão voluntária, optei pela segunda. Ou seja, a intervenção do senhor presidente da Câmara Municipal de Pombal neste processo é um facto. Tanto o é que um dos seus vereadores afirmou perante algumas pessoas "já acabámos com o blog". Esta situação é notoriamente idêntica à que aconteceu com o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Na sua proporção, obviamente. Mas, com um senão. O meu futuro. Estou desempregado, com duas crianças de 20 meses para criar, casa e carro para pagar. E esposa também desempregada. E tanto mais que, ainda há dias, ouvi da boca de um eventual empregador: "reconheço que és a pessoa indicada para o meu projecto, mas quando o senhor presidente da Câmara soubesse, caía o Carmo e a Trindade. E eu não quero ter problemas com esse senhor". É triste que 30 anos depois de uma revolução, ainda haja quem de uma forma nojenta e vergonhosa, censure as vozes discordantes para que estas não expressem livremente as suas opiniões. Com os melhores cumprimentos.

Orlando Manuel S. Cardoso ____ Rua Paul Harris, nº 13 - 1º Esq 3100-502 Pombal Telef.: 236213594 - 936354363 E-mail: orlando.cardoso@zmail.pt

21/10/04

O Benfica ganhou outra vez...

Há muito tempo que deixei de entender o futebol. Mantenho o conhecimento das regras, sei dar uns toques, mas não compreendo o futebol profissional. Tenho uma enorme dificuldade em entender um jogo de 90 minutos que dura semanas, às vezes meses e anos. Tiraram-me o gozo, entendem? Quando vejo um jogo da bola ele já vem tão enfermo de suspeições e pressões que não sobra tempo para o jogo. Ou melhor nem há jogo, há uns 90 e poucos minutos de espera para se saber o que vão dizer a seguir ao desafio. Tiraram-me o rebuçado, portanto.
Hoje constatei as manifestações de júbilo por parte dos benfiquistas por o FCP ter perdido ontem. Faz-me muita confusão isso, há anos que as vitórias do SLB são apenas as derrotas dos outros, é feio. Faz-me impressão ouvir o SCP queixar-se constantemente do sistema e ver que o SLB sempre o goza por causa disso, mas depois quando perdem são eles a pôr tudo em causa. Isto não tem nada a ver com competição e é pena. Portugal até tem bons jogadores que encantam o Mundo.

20/10/04

Lá começam eles.

Falta cerca de um mês para o julgamento do tal "Caso Casa Pia". Era esperado que mais tarde ou mais cedo começassem as pressões, os truques, as habilidades, os empurrões, as tentativas de manipulação, as coisas do costume. A imprensa dá destaque e os interessados vão inventando na tentativa de extrair dividendos. É normal e até aceitável, uma vez que os arguidos, os advogados, os juízes, as vítimas são usados sem qualquer acordo prévio pela mesma comunicação social. Quero eu dizer que se um orgão de informação utiliza a minha vida para conquistar audiências ou vender jornais, eu tenho o direito de os usar, também, para defender ou vender o meu produto. Isto não está legislado, como é óbvio, mas é tomado como natural e está apenas dependente da arte e da manha de cada um. Um exemplo poderia ser a presença de Avelino Ferreira Torres na chamada quinta das celebridades, os media fartaram-se de nos mostrar a agressividade do Sr. e este meteu-se na quinta usando os media para mostrar que é um cordeirinho. Ok, porreiro, parece-me justo. Claro que isto não nos vai fazer achar que a "bicha Presidente" não é agressivo ou não é cordeiro.

Mas voltemos ao caso Casa Pia, a que propósito o Sr. Procurador Geral da República vem num colóquio em Badajoz, falar de uma forma revoltante, à luz do direito, de um processo a um mês do seu julgamento? Foi coincidência? Foi sem querer? Porque é que este Sr. nunca diz nada quando lhe pedimos e de repente fala para o ar, com o maior despropósito, quando era preciso estar calado?
Souto Moura, recorde-se, não é arguido, nem juíz, nem advogado, nem vítima neste processo, ele deveria ser o garante de que tudo se processaria na legalidade, calma e justiça. Como pode o PGR acusar alguém de estratégias, pressões, quebras do segredo de justiça, etc... se é ele próprio que começa os incêndios?
Eu acho que Souto Moura tem preferência por julgamentos na praça pública e por isso força-os, não vejo outra razão.

Estamos caladinhos ou...

A seguir à obsessão pelo défice estamos agora a entrar na obsessão pela censura. Outras obsessões ficaram pelo meio, mas é nesta, a da censura, que eu acho importante que nos concentremos. É certo, e sabido por todos nós que existem nos locais de trabalho, nas escolas, na vida social várias fórmulas que restringem a liberdade de dizermos o que nos vai na alma. Quase toda a gente aceita isso embora não reaja bem. Mas como podemos nós dizer a um chefe exactamente o que pensamos se isso puser em risco o pãozinho dos nossos filhos? – Dirão as pessoas. Não concordo mas aceito, aceito porque compreendo e não concordo porque acho que devíamos ter a obrigação de fazer com que o dizer exactamente o que pensamos não causasse qualquer risco.
Outra coisa engraçada nestas repressões ao verbo, porque não podem ser ao pensamento, é o ser aceite como normal dizer-se: - Oh pah, não se pode dizer essas coisas ao patrão, e se alguém perguntar o porquê, a resposta é imediata: - Porque é o patrão, ora essa!
Ou seja, não tem por isso outra explicação sem ser que ele te pode despedir ou prejudicar, não é?

Pois é, o ministro Morais Sarmento volta de novo ao ataque e quer, não só mandar nos órgãos públicos de comunicação como quer que acreditemos que assim tem de ser. Não interessa se ele o vai fazer ou não, nem interessa como e sabem porquê? – Porque já está feito! A sua investida já pôs muita gente a pensar no tal pãozinho dos filhos, na sua vida, nos seus proventos. Morais Sarmento percebeu, com o caso do Prof. Marcelo, que afinal é fácil atenuar o efeito das forças de bloqueio como Cavaco chamou. Claro que para Morais Sarmento e demais governantes não se trata de censura, mas também não explicam do que se trata. Ora lá está a máxima: há coisas que não se devem dizer sobre o governo. Porquê? – Porque é governo, ora essa!

Graça Franco num artigo publicado 2ª feira no Público deixa alguns dados sobre a censura que eu vou transcrever aqui:

…”Mas como a memória é curta e há gente sensível aos argumentos de que "ninguém quer calar ninguém", aqui ficam alguns dados para reflexão dos mais novos.
A censura do Estado Novo surge logo no ministério de Gomes da Costa, que por ironia nem durou um mês! Nunca ninguém a defendeu ou veio anunciar com pompa e circunstância. É filha de pai incógnito e a mãe (a frágil ditadura) sempre a rejeitou.
É criada por uma simples nota do comandante da polícia, a título excepcional, mas isso não a impede de permanecer em acção e no essencial intocada 48 anos. A primeira lei de imprensa do regime, publicada ainda em 1926 durante a ditadura de Sinel e Carmona, proíbe a sua existência e consagra a liberdade de expressão. Indiferente, ela continua a existir e a cortar inclusivamente notas oficiosas. Em matéria de liberdade de expressão, a Constituição de 33 quase não difere da de 1910. É só no decreto que regulamenta o exercício dessa liberdade, publicado no mesmo dia em que entrou em vigor a lei fundamental, que se assume, finalmente, a instituição da Censura já em vigor vai para sete anos. Aí permanecerá sem alteração até 72, quando o seu nome muda para "exame prévio" e tudo fica na mesma.
Durante a sua vigência nunca terá critérios claros e continuará a ser permitida a aparência de pluralismo da imprensa. Não será cortado na "República" o que não passa na "Voz". Embora favorável ao regime, a direita nunca será poupada. Na "Voz" chegam a ser amputados os textos de Correia Marques, um dos maiores defensores da política de Salazar. Só as quintas linhas do regime (tipo o nosso ministro Gomes da Silva!) são capazes de lhe assumir a bondade... Jamais a elite e os seus líderes.
Carmona dirá ao jornal "Mundo", em Junho de 26, "coisa alguma repugna mais o meu espírito liberal do que a censura à imprensa", acrescentando que "os boatos falsos, as notícias tendenciosas, desorientam o espírito, provocam a agitação. É preciso evitá-los. O Governo não receia a crítica. Deseja-a até. Mas a crítica dos factos reais e não dos actos imaginários, a crítica nobre, elevada, serena." Estão a ver por que é que a crítica de Marcelo pode tornar-se indesejável para os novos censores? Beberam a inspiração aqui!
Em 72 será a vez de Marcelo dizer à "Capital" que a nova lei de imprensa só não porá fim à censura "porque não basta falar de um direito à informação, é preciso (...) garantir o direito à informação "verídica" (...) as meias verdades, as meias frases, os factos distorcidos compõem um tecido de mentiras que perverte a opinião".
Já antes Salazar diria, em 1933, numa entrevista a António Ferro: "Compreendo que a Censura os irrite porque não há nada que um homem considere mais sagrado do que o seu pensamento e a expressão do seu pensamento." Acrescenta: "Eu próprio já fui vítima da censura e confesso-lhe que me magoei, que me irritei, que cheguei a ter pensamentos revolucionários." Por que não a revoga nesse caso? Como argumento exibe a ilegitimidade da deturpação dos factos "por ignorância ou má fé". Mas, para lhe minorar os males, anuncia a criação do que viria a ser o Secretariado da Propaganda Nacional (mais tarde SNI), apresentado como "um bureau de informações a que os jornais poderão recorrer quando quiserem, para se munirem de elementos necessários à análise e até à crítica da Obra do Governo". Nada muito diferente da Central de Informação do dr. Morais Sarmento.
E seria o "bureau" o primeiro passo para abolição da censura?, pergunta Ferro. "Vamos devagar...", responde Salazar, a censura seria sempre necessária para moralizar "nos ataques pessoais e nos desmandos de linguagem...". Mas para evitar o policiamento externo, que sempre "significará, para quem escreve, opressão e despotismo", o presidente do Conselho propõe-se "oferecer" aos jornalistas a "solução para este problema, para esse aspecto da questão: por que não se cria uma Ordem dos Jornalistas? (...) Dessa forma o papel moralizador da Censura passaria a ser desempenhado pelos próprios jornalistas e dentro da sua classe. "Não lhe parece uma boa solução?", pergunta ao entrevistador. Não pareceu. Na classe não se conseguiram recrutar censores capazes de meter "na Ordem" toda a classe. Esperemos que nesta geração a recusa se mantenha! Mas não é certo...
Sem que esta ideia de avançar no que hoje se chama auto-regulação restaram os majores e os coronéis forçados a garantir o contraditório.
E fizeram-no bem. Em 1970, já com quase nove anos de guerra em África decorridos, ainda zelavam assim "pela verdade dos factos", como prova este mimo inscrito num telex recebido dos serviços de censura às 23h35 do dia 12 de Janeiro de 1970: "Na posse do 2º comandante da PSP de Lisboa: disse-se que ele já fez três comissões de serviço no Ultramar, a primeira 'logo na eclosão da guerra'. Ora, não há guerra. Não se pode dizer isso. Deve ter sido confusão do repórter... Coronel Saraiva."
Os comentários do professor Marcelo enfermavam frequentemente deste tipo de confusões.
P. S.: A Lusa mandou a 7 de Outubro um telex para as redacções com as declarações de Cavaco Silva lamentando o afastamento de Marcelo. Passados poucos minutos um novo telex chegava a corrigir o anterior. A magna alteração introduzida era a seguinte: no primeiro parágrafo, onde se escrevia "afastamento" passava a escrever-se agora coisa mais neutra, ou seja, "saída". Mas Cavaco não falava de saída, mas de "afastamento", palavra que passava a só constar entre aspas no segundo parágrafo. Sem contaminar a linguagem do jornalista. Não sei de quem foi a ideia da magna correcção. Talvez do próprio jornalista, "não fosse o chefe...", ou do chefe, "não fosse o director...", ou do director, "não fosse o ministro...". Ou seria do próprio ministro, para garantir rigor dos serviços tutelados? Valha-nos Deus! “

Vamos reflectir então….

18/10/04

SLB - FCP

Sempre achei o futebol uma coisa muito bonita. Aprendo sempre alguma coisa com os grandes jogos. Ontem pela boca dos dirigentes do grande Benfica fiquei a saber que a Carolina (namorada de Pinto da Costa) foi alternadeira. Coisa linda!

Dos jornais...

Sobreviverá o Mundo a Mais Quatro Anos de Bush?
Por MIGUEL SOUSA TAVARES
Sexta-feira, 15 de Outubro de 2004

Numa fotografia divulgada há semanas pela Associated Press, vê-se o Presidente Bush cumprimentando Santana Lopes durante uma cerimónia de recepção aos dirigentes mundiais presentes na abertura da 50ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. À direita da fotografia está Santana Lopes apertando a mão ao homem mais poderoso do mundo; ao centro, abraçado a Bush, em atitude de rasteira subserviência, está o Presidente da Guatemala; e à esquerda, está Bush, apertando a mão de Santana e com uma expressão que parece dizer: "Quem é este tipo?" E a legenda reza assim: "O Presidente Bush, com o Presidente da Guatemala, Oscar Berger ao centro, e uma pessoa não identificada à direita, ontem em Nova Iorque..."

Embora Santana Lopes não saia bem da fotografia e, particularmente, da legenda, a verdade é que, desta vez, não tem culpa alguma. A expressão na cara de Bush e a legenda da AP são ambas eloquentes demonstrações daquilo que mais assusta a Europa relativamente aos Estados Unidos e a esta Administração: a sua suma ignorância, a sua arrogante e displicente ignorância, sobre o mundo que os rodeia e o qual pretendem comandar e disciplinar de acordo com a sua doutrina universal.

Segundo uma curiosa sondagem divulgada há tempos, se o mundo inteiro pudesse votar nestas eleições americanas, Kerry ganharia a Bush com uma esmagadora margem de 80 contra 20 por cento - coisa jamais vista em alguma eleição americana. Os números da sondagem são particularmente impressionantes entre o eleitorado dos países tradicionalmente aliados dos Estados Unidos, como a Inglaterra, a Alemanha, a Itália e até Portugal. A sondagem deveria fazer meditar os americanos nas razões que ocasionam este geral desprezo do mundo pelo seu Presidente. Mas é certo que, se sequer se detiverem a pensar nela, a conclusão será exactamente a oposta: o reforço da popularidade interna de Bush, como desafio ao mundo que o despreza.

As razões profundas da popularidade de Bush são, de facto, um fenómeno de difícil explicação, mesmo que parte dela se justifique por um efeito de arrasto de uma vaga actual de conservadorismo na América. Mesmo assim, as razões que muito provavelmente levarão George W. Bush à reeleição em Novembro são de difícil entendimento para um europeu.

Bush sucedeu àquele que terá sido, em termos de política doméstica, pelo menos, o melhor Presidente que os americanos tiveram desde o pós-guerra. E desmantelou por completo a herança económica e social de Clinton: transformou o superávit das contas públicas em novo défice galopante, como o haviam feito o seu pai e Reagan, com isso desmentindo a tradicional acusação dos republicanos aos democratas de estes apenas saberem subir impostos e endividar a União. Bush baixou, de facto, os impostos, mas apenas para os ricos e para as grandes empresas, sob o argumento de que isso relançaria o investimento e o emprego - mas em quatro anos perdeu milhões de empregos que os anos Clinton haviam criado. Prosseguindo numa agenda política ditada pelos ícones do neoconservadorismo religioso que o inspiram, Bush desfez o sistema social de saúde montado por Clinton, cortou os subsídios de alimentação às crianças pobres das escolas desfavorecidas, tirou dinheiro à protecção ambiental para o gastar em armamento e, no seu círculo de politólogos iluminados, já se discute até a possibilidade de terminar com o princípio da progressividade fiscal, para o substituir pelo princípio da proporcionalidade (ou seja, a mesma taxa de IRS para quem ganhe mil dólares e para quem ganhe um milhão) - um retrocesso civilizacional de um século.

Segundo as explicações mais comuns, a popularidade de Bush sustenta-se, apesar da desastrosa governação, no trauma pós-11 de Setembro e na ideia que o americano comum criou de que Bush é quem está melhor colocado para evitar novo ataque terrorista em território americano. Mas o que é curioso é que essa convicção é alicerçada em puro preconceito ideológico, que os factos não suportam: sabe-se hoje que o Governo de Bush subestimou e negligenciou as informações de segurança que apontavam para a iminência do 11 de Setembro; conhece-se a reacção patética de Bush quando teve conhecimento do ataque a Nova Iorque, documentada no filme de Michael Moore; e permanecem por explicar as cinco horas subsequentes, em que Bush esteve desaparecido, presumindo-se que andou às voltas no céu, a bordo do "Air Force One", até ter a certeza de que o ataque tinha terminado. Perante este panorama, é difícil de entender que garantias pode dar este Presidente de conseguir prevenir novo ataque terrorista ou de saber reagir a ele.

Nestes quatro anos de mandato, Bush tem uma única e recente vitória na sua política externa, que foi a realização de eleições no Afeganistão. A passagem da Líbia do campo terrorista para o campo "civilizado", apontado por Rumsfeld como outra vitória desta Administração, deve-se, de facto, aos esforços diplomáticos dos ingleses, e não dos americanos. Quanto ao resto, foi um desastre.

A aventura iraquiana foi um total descalabro, cujas consequências vale a pena lembrar:

- Dividiu o campo europeu entre os seguidores acríticos dos Estados Unidos e os outros, quebrando a unidade europeia, a dos Aliados e a da NATO;

- Desautorizou e descredibilizou as Nações Unidas, com consequências que já são visíveis na questão de Darfur, onde a organização revela a impotência a que ficou reduzida, depois de os Estados Unidos a terem remetido a um papel de avalista das decisões de política externa do Departamento de Estado;

- Em nome do desarmamento, invadiu-se um país desarmado - o Iraque - e deixou-se de lado os que verdadeiramente se estavam e estão a armar - a Coreia do Norte e o Irão;

- E, tendo invadido o país errado sob falsos pretextos e falsas provas, perdeu-se o crédito junto da opinião pública para futuras e necessárias missões de segurança internacionais (depois da mentira do Iraque, quem vai acreditar na verdade?);

- Sob o pretexto de combater o terrorismo da Al-Qaeda, que não existia no Iraque, transformou-se o país, mesmo sob a ocupação dos "marines", num campo de recrutamento e actividade florescente de todo o terrorismo, não apenas da Al-Qaeda, mas de várias outras organizações, que entretanto ali nasceram e prosperam, com a justificação da ocupação;

- Não se democratizou o Iraque, porque não havia com quem e porque os iraquianos não aceitaram nova ordem constitucional ditada pelo ocupante;

- Não se trouxe, como prometido, a paz e o progresso ao Iraque, mas sim o terror diário, o caos, o colapso da economia e das instituições civis e a inviabilidade económica e adiministrativa do país;

- Sacrificaram-se mais de mil vidas de soldados americanos, não na conquista do Iraque, mas na sua ocupação, e deitaram-se fora biliões de dólares dos contribuintes americanos e seus aliados, numa solução político-militar de que ninguém adivinha o fim;

- Desviadas as atenções para o Iraque, deixou-se Israel em roda livre, para impor a sua solução para a Palestina, como, quando e até onde quiser;

- E, enfim, dos 28 dólares por barril de petróleo que o mercado pagava antes da invasão do Iraque, saltou-se agora para os 50 dólares por barril - um preço que compromete toda a retoma económica mundial, que estava a iniciar-se quando Bush tomou posse. Pior era impossível.

Bem podem Bush e Rumsfeld gabar-se de que, em contrapartida, Saddam Hussein foi derrubado e está agora numa prisão. Será que essa única boa notícia vale todo o preço já pago e a pagar? Quem pode garantir que não haverá um novo ataque terrorista nos Estados Unidos, ou em Espanha, ou na Inglaterra? Quantos países árabes se sentem tentados a seguir o exemplo do Iraque, democratizado e pacificado, como Bush prometeu?

14/10/04

Afinal é possível nascer de novo!

Hoje saiu-me a sorte grande. Estou rico. Hoje esqueci-me das misérias do mundo, da hipocrisia, da maldade, das invejas, das merdas todas negativas. Por um momento achei que o mundo utópico é o mundo real, não quero sair daqui. Hoje perdi a mania que era um gajo porreiro, um bonzinho. Hoje percebi que há quem seja tão bom e até melhor do que eu. Hoje aprendi tanta coisa em 10 minutos e mudei 30 anos de convencimento. Hoje a frase do Sérgio que diz: "...é que hoje eu fiz um amigo e coisa mais importante no mundo não há...", tomou umas proporções inimagináveis. Hoje eu aprendi a receber o que costumo ser eu a dar, e afinal sou capaz de receber, e afinal o conceito que sempre defendi: "que é muito melhor dar que receber", ficou duvidoso. E eu que achava que era feliz, não sabia que me faltava isto. Hoje eu nasci de novo, obrigado Gaja!

13/10/04

A Censura e o Motor de Arranque.

Somos um país de queixinhas, mas até para nos queixarmos precisamos de ser empurrados. Sempre foi assim, passamos a vida a dizer mal disto e daquilo mas nunca, ou raramente, no local certo ou à pessoa certa. Queixamo-nos do marido à amiga, da amiga ao marido, do sapateiro ao barbeiro, do homem do talho à padeira e por aí fora mas raramente aceitamos assumir a luta com quem é preciso lutar. Por outro lado quando a excepção acontece, ou seja quando alguém decide tomar as rédeas de qualquer luta, vem por arrasto todas as lutas que ficaram reprimidas. É então sabido que quando alguém decide protestar e enfrenter o sapateiro a seguir alguém vai protestar e enfrentar o homem do talho e assim sucessivamente. É normal? - Para nós, portugueses, é!

Nos últimos tempos isso tem sido bastante claro para todos nós. Apareceu o caso Casa Pia apareceram nos tempos seguintes casos diários de pedofília, aparece uma criança mal-tratada pelos pais e já sabemos que vão aparecer outras nos dias seguintes, apareceu a hipótese de censura no caso do Prof. Marcelo e:
- Os Srs. comentadores relembram a atitude do Sr. Santana Lopes quando foi caricaturado na TV, o Sr. Dias Ferreira diz que o PSL o censurou no programa "Jogo Falado", um Sr. Ex-director de um jornal do Oeste diz que PSL o silenciou e isto ainda agora começou. Mas porque terá sido que toda esta gente não falou quando e onde deveria falar? É que já chateia ouvir as pessoas dizer após os acontecimentos vindos a público coisas como: "- Nós sempre soubemos que era assim!"

11/10/04

Começou a entrega das armas.

-Tou, está lá? Luis?
-Oi grande Ab, estás onde?
-Aqui man, nesta merda de guerra que vocês inventaram.
-Mas estás bom ou nem por isso?
-Cá me amanho rapaz e por aí?
-Aqui está tudo bem, olha lá também estás a entregar as armas?
-Ahahahahahah, entregar? És maluco pah entregamos o que já não presta a troco de dinheiro para comprar outras novas ou achas que somos parvos?
-Ok, ok Ab não acho nada disso.
-Bom, tenho de ir Luis um abraço para ti.
-Abraço apertado, Ab. Vai dando notícias.
-Yah.

O AMOR É UMA TRETA!

Os sentidos são os nossos meios primários na condução de mensagens para o entendimento e é deles que deriva grande parte do que consideramos indubitável. Contudo, algumas certezas que eles nos oferecem esgotam-se nas qualidades sensíveis das coisas materiais não sendo por isso suficientes para um pensar exigente e de rigor, sendo, por outras palavras, relativamente à sua existência – muito duvidosas.
Então pode-se e deve-se duvidar dos sentidos uma vez que é vulgaríssimo sermos iludidos por eles.

Os sentires não são os sentidos mas são por estes gerados e alimentados. Logo, pode-se e deve-se duvidar dos sentires ainda mais que dos sentidos.

Sendo que a dúvida tem como objectivo alcançar a verdade e a certeza, isolando o que foi alcançado de tudo o que se continua duvidando.
Sendo que os sentires ainda são mais duvidosos que os sentidos que tanto nos enganam: O AMOR É UMA TRETA!

10/10/04

XUTOS ETERNOS

O Pavilhão Atlântico repleto, um palco fantástico e extraordinariamente bem dividido, um ambiente escaldante e um som quase perfeito. Em Portugal só os Xutos & Pontapés conseguem tanto.
Aqueles gajos em palco, 3/5 dos quais só sairão de lá quando morrerem, conseguem transmitir uma imensa energia ao público com uma economia de esforço que só 25 anos de estrada conseguem ensinar. Os Xutos não se cansam e, pelos vistos, também não cansam.
É claro que os que gostam menos vão dizer que a guitarra do Zé estava desafinada, que o Tim fartava-se de entrar ao lado, que as músicas novas são todas iguais, o habitual. Mas quem é capaz de criar momentos como aquele em que a bateria passa para as mãos do roadie e o Kalu vem cá para a frente entregando toda a sua alma aos presentes e permitindo que estes a penetrem? Naquele momento os Xutos são putos de 19 anos e os putos têm todos 50. E não será preciso desejar longa vida aos Xutos & Pontapés, é preciso desejá-la aos musicos porque enquanto estes viverem a banda não parará.

09/10/04

Negócio da China (a Bela e o Monstro).

O Tó Monstro é um excelente rapaz, meigo, amigo do seu amigo, honesto. Tem aquele aspecto feio, é pouco criativo e muito acomodado, deixou os dentes chegarem à quele estado com 33 anos, mas enfim, ele não se importa com isso. A Anabela é linda de morrer, activa, empreendedora, nunca pára. A Ana e o Tó casaram há 13 anos o que causou a admiração a toda a gente, era a união do mais feio com a mais linda, mas todos achávamos que o Tó merecia. É claro que também se dizia que aquilo não ia durar muito, que homem feio com mulher bonita é corno pela certa etc... Mas não, muito embora a Bela refilasse muito com a apatia do Tó, eles eram um casal maravilha e fizeram uma filha linda, hoje com 3 anos.

No princípio deste ano o Monstro esteve aqui comigo e falou que o casamento deles andava demasiado rotineiro, que andavam sempre um atrás do outro, que a Ana até à Luz ia com ele, que quase não saiam por causa do bebé e esse tipo de coisas. Disse-me que conversaram sobre isso e que ele propôs que começassem a sair sós, a ter liberdade, um saia o outro ficava com a Matilde (a filha) e que experimentariam até ao fim deste ano se isso era bom ou mau para eles. Disse-me ele que a Anabela não achou grande ideia e que até disse que era perigoso, que podiam sentir alguma atracção por alguém e depois era complicado. A isso o Monstro respondeu: -Olha se acontecer alguma coisa, aconteceu, ninguém morre por isso.
E pronto, o Tó começou a ir com os amigos à bola e para os copos, voltou ao Jamaica e ao Tokio e a Ana, menos vezes, mas lá ia saindo com as amigas.

O Tó esteve cá ontem. Chegou angustiado e choroso, tinha descoberto que a Bela tinha andado a curtir com 2 gajos. Eu disse-lhe: - Mas não foste tu que lhe disseste que era para ser assim?
-Foi, disse ele, mas eu não fiz nada, tu sabes bem que as gajas nem olham para mim!

08/10/04

E agora digo eu...

Após o afastamento do Prof. a discussão passou a ser se este deve ou não explicar porque resignou, se o Paes do Amaral deve ou não esclarecer os porquês e até já se pede que o PR fale sobre po assunto. Ora, para mim tudo isso é irrelevante i.e. não é isso que me tira o sono. É claro que tenho consciência que pressões políticas e económicas sempre houveram e sempre haverão, que são farpas na democracia mas é esta que permite isso mesmo, portanto que se tirem conclusões mas não me enganem.
O que está em causa não é se a pressão foi política ou económica, se partiu daqui ou dali, se a comunicação se deixa manipular ou se vende a interesses. O que está em causa aqui é que alguém achou que deveriam ser exercidas represálias contra uma pessoa que faz comentários que não lhe são agradáveis. O que está em causa, para mim, é que esse alguém é ministro do governo em exercício. O que está em causa é que o governo do meu país tenta silenciar um cidadão. E isso ouvimos todos, disso fomos todos testemunhas quando ouvimos o ministro Rui Gomes da Silva.
Eu não quero ter que ficar preocupado com o que digo ou escrevo é isso que está em causa!

07/10/04

Mais do Prof. 5

Ainda Mal Começou...

Quinta-feira, 07 de Outubro de 2004

Os estragos provocados por este Governo ao fim de pouco mais de três meses ultrapassam as piores previsões dos mais pessimistas.

Apesar de não se conhecerem todos os detalhes das circunstâncias que rodearam a saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI - e de provavelmente nunca se virem a conhecer -, a decisão do antigo líder do PSD, que implicou uma ruptura radical com um velho amigo a que o ligam laços de família, mostra que se ultrapassou um novo limite. E ultrapassou-se esse limite no momento em que na TVI, uma estação privada de televisão, se começou a perceber que os negócios que dependiam do Governo dificilmente iriam para a frente, se a estação mantivesse a assertividade crítica de alguma da sua informação e opinião. Isso não terá sucedido ontem, nem sequer depois das declarações de Rui Gomes da Silva: isso vem sucedendo há muito e mostra que persistem em Portugal dois males antigos que fazem com que sejamos uma democracia pouco liberal. Primeiro, porque as tentações de os governos controlarem a informação não desapareceram, antes recrudesceram com o actual Executivo, e o império da PT- criado sob o PS, alimentado e protegido pelo PSD - permite ter uma terrível arma de intervenção capaz de condicionar mesmo os grupos privados, na televisão e não só. Depois, porque em Portugal são raríssimos os empresários que não actuam em função das conveniências do Governo do momento, não só por dependerem do Estado, mas também por o Estado nunca ter liberalizado as regras da economia por forma a que tudo não dependa, em última análise, da mendigada rubrica de um ministro.

Chegámos agora a um dos momentos mais baixos deste círculo vicioso. De um lado, um governo acossado e fraco, desorientado e acéfalo, incapaz de resistir à tentação da manipulação e desesperado por não perceber que o mal não está em quem divulga as más notícias, mas em quem lhes dá origem: eles próprios. Do outro lado, elites que ou estão divorciadas da causa pública, ou estão concubinadas com os poderes - elites incapazes de perceberem aquilo que Jorge Sampaio recordou no seu discurso do 5 de Outubro: o fiasco trágico das elites políticas (mas também económicas) do Estado Novo e as consequências do fracasso da tentativa tardia de reforma durante o marcelismo. Essas elites sabiam que era necessário transitar para uma democracia pluralista e descolonizar, mas falharam quando chegou altura das reformas necessárias. Bloquearam, intrigaram e não conseguiram tirar o país do beco em que se encontrava.

Ora é essa situação em que muitos portugueses já se sentem hoje e alguns dos que se iludiram com a experiência marcelista há anos que sentem que estamos a caminhar de novo para um abismo.

Com uma agravante: o nível intelectual e cultural dessas elites, quer das que chegaram a pensar que era possível a transição gradual, quer nalguns casos das que eram genuinamente autoritárias, era infinitamente superior ao de muitos daqueles que desgraçadamente nos governam. É trágico - lancinante mesmo - ter de admiti-lo, mas depois de se assistir a uma demonstração de iliberalismo democrático como a dos últimos dias (que é a ponta do icebergue do mal-estar que se vive em muitas redacções) e de ninguém ter porventura dado a atenção devida a tudo o que disse terça-feira Jorge Sampaio, na actual crise o risco de ruptura e declínio é porventura bem maior do que a oportunidade de mudança e de progresso. Daí o receio: ainda não batemos no fundo.

José Manuel Fernandes


Mais do Prof. 4

Contraditório

Por EDUARDO PRADO COELHOO FIO DO HORIZONTE

Quinta-feira, 07 de Outubro de 2004

Assistimos a um processo com duas vertentes, típico do estilo Putin: a democracia é a melhor coisa do mundo, desde que se considere que a democracia sou eu. Eu, neste caso, Santana Lopes. Eu, neste caso, Morais Sarmento. Eu, neste caso, Gomes da Silva. Ou, como dizia a presidente da Câmara de Oeiras em entrevista a Bárbara Guimarães, "para estar neste lugar, precisamos do apoio do cônjuge, neste caso, o marido". Neste caso...

Primeira vertente: convém impedir que quem discorde fale. Já o núcleo do PSD do Norte, constituído, como se sabe, por algumas das maiores cabeças do país (estou a falar do tamanho, claro), tinha vindo mostrar toda a sua indignação com os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa. Não basta ser-se do partido do Governo, é preciso aparecer como porta-voz do pensamento do Governo. O que a médio prazo pode levar à esquizofrenia, dado que o Governo tem em si pensamentos diversos, e o próprio Santana Lopes pensa coisas diferentes no mesmo dia (o que mostra como é um espaço de liberdade e pluralismo). Desta vez, temos o extraordinário Rui Gomes da Silva, espaldado por Morais Sarmento num dos seus momentos menos felizes, a começar por exigir que se moderem os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI. Estes comentários são hoje uma verdadeira instituição nacional, e com o apoio de gente desnorteada como o referido ministro (vão lá arranjar "contraditório" para esta afirmação...) arriscam-se a valer tanto como um partido político. Cabeças mais atiladas devem ter explicado, aparentemente com êxito, que afirmações destas não se fazem e que Gomes da Silva estava a criar um caso político onde ele não existia. O que só se compreende porque Marcelo, ao comentar a constituição deste sempre surpreendente Governo, traçou um retrato pouco abonatório deste admirável governante a quem o país tanto deve. O caso veio acrescentar-se ao clima de proibições que se pretende instalar: regulação de horários de discotecas, proibição de mini-saias numa escola de Colares, e agora tentativa de impor a Marcelo um contraditório. E ainda veremos o PSD do Norte propor que cada comentador de um jornal tenha o seu contraditório - que poderá mesmo ser um polícia de serviço.

Mas o Governo fez marcha-atrás. E Gomes da Silva veio dizer que "não há qualquer intenção de ninguém no sentido de silenciar Marcelo Rebelo de Sousa, ou de o próprio PSD avançar com um processo disciplinar contra ele" (o português é um pouco coxo, mas paciência...).

Supondo, talvez, que empilhando disparates se faz propaganda política - e entramos na segunda vertente, a central de manipulação ideológica -, Gomes da Silva acusou José Sócrates de "não conseguir pensar". Vindo de um verdadeiro especialista na matéria, a acusação é deliciosa. Gomes da Silva acha que a utilização por Sócrates do teleponto "foi única e exclusivamente porque têm de lhe escrever aquilo que ele tem que dizer". Suponho que um pouco de memória não ficaria mal ao nosso ministro dos Assuntos Parlamentares. É que as pessoas ainda se lembram, numa célebre tomada de posse, de Santana Lopes não conseguir ler o que para ele tinham escrito. Mas a explicação é dada pelo próprio Gomes da Silva, em estilo que merece a medalha de "o mais piroso": "O primeiro-ministro pensa muito antes de falar. Pensa acima de tudo nos seus compromissos com os portugueses, mas também o faz com alma, com o coração e com aquilo que pensa ser melhor para Portugal." E Gomes da Silva é, como sempre, um fiel discípulo.

professor universitário

Mais do Prof. 3

Marcelo

Quinta-feira, 07 de Outubro de 2004

Post 1 - Acabo de ser surpreendido com a notícia de que Marcelo Rebelo de Sousa vai deixar de fazer comentários na TVI na sequência de uma reunião que teve com Miguel Paes do Amaral, presidente da Media Capital, a pedido deste. As parcas declarações do ex-líder do PSD após a dita reunião, apesar de escassas, são significativas e dizem praticamente tudo: Marcelo terá sido apertado, e de seguida despedido, por ter criticado o Governo de Santana Lopes a propósito da tolerância de ponto do passado fim-de-semana.

Evidentemente que a TVI tem toda a liberdade para contratar e despedir os comentadores que quiser, desde que o faça por comum acordo ou dentro dos limites contratualmente estabelecidos. Acontece que este despedimento de Marcelo Rebelo de Sousa surge no contexto de uma ignóbil conjuntura de baixa política, porque assente num antidemocrático delito de opinião, após declarações públicas destemperadas de Rui Gomes da Silva, que o acaso e os vínculos "santanistas" tornaram ministro dos Assuntos Parlamentares.

Se o PSD e o actual Governo tinham um problema insanável com o seu militante Rebelo de Sousa, deveriam tê-lo resolvido internamente, com base nos estatutos do partido, e envolvendo o conselho de jurisdição nacional. Ao fazê-lo como fizeram, não só cometeram um acto de autêntico "hara-kiri" político de consequências imprevisíveis, como deixaram no ar a forte suspeita de que controlam a comunicação social, incluindo a de iniciativa puramente privada.

Resta saber - e é saudavelmente democrático que se venha a saber com a máxima urgência possível - quais as verdadeiras e concretas razões que terão levado o patrão-mor da TVI a interromper intempestivamente uma ligação de inegável sucesso que já durava há mais de quatro anos. Não foram boas razões, com certeza.

Post 2 - Nesta crónica em jeito de blogue impresso, constato que duas semanas após ter estado no centro da trapalhada político-informática da não colocação de professores a empresa Compta reagiu finalmente, em comunicado, para apresentar a sua versão dos acontecimentos, descartar responsabilidades directas pelo sucedido e atirar a bola para o campo do Ministério da Educação. Após um silêncio estranho e comprometedor que durou praticamente 15 dias, a Compta lançou o seu comunicado na véspera da ida ao Parlamento de Maria do Carmo Seabra. Terá sido mera coincidência? Ou teve a Compta inesperadas dificuldades para imprimir o documento em tempo útil?

Post 3 - Imperdoável. Acompanhei o mais atentamente possível a estreia da Quinta das Celebridades na TVI, mas perdi o momento sublime de dessacralização da vida política que consistiu na aparição de Avelino Ferreira Torres em cuecas. Imagino o orgulho dos seus amigos e correligionários Paulo Portas e Luís Nobre Guedes, sempre disponíveis para sancionar, nem que seja através do silêncio cúmplice, as heterodoxias comportamentais, e outras que tais, do ainda presidente da Câmara de Marco de Canavezes.

Post 4 - Afinal, é possível descobrir fórmulas inventivas para assinalar capazmente as datas históricas da história de Portugal. A pretexto dos 94 anos da implantação da República, a Câmara Municipal de São João da Madeira proporcionou a dezenas de privilegiados uma palestra notável de Emídio Guerreiro, incansável lutador pela liberdade ao longo dos seus surpreendentes e incrivelmente lúcidos 105 anos de idade. Tratou-se de uma rara oportunidade para confirmar, de viva voz, a velha máxima de que Emídio Guerreiro tanto gosta: "Os velhos dizem aquilo que fizeram. Os novos dizem aquilo que fazem. E os políticos dizem aquilo que vão fazer..."

Miguel Sousa Tavares


Mais do Prof. 2

Miguel Sousa Tavares pondera deixar TVI

João Pedro Henriques, :

G.S./PÚBLICO

Miguel Sousa Tavares decidirá sexta-feira se vai ou não deixar a TVI. O jornalista disse ao PÚBLICO que viu a saída de Marcelo Rebelo de Sousa como um "episódio gravíssimo", acrescentando que uma decisão final está dependente de uma conversa com o director-geral da estação, José Eduardo Moniz.

Segundo acrescentou, ainda lhe falta um "conhecimento total" do episódio porque ontem só conseguiu falar com Moniz (ausente em Cannes, de onde hoje regressa) e com Miguel Pais do Amaral, o presidente da Media Capital. Ou seja, falta-lhe também uma conversa com o próprio Marcelo Rebelo de Sousa.

Para o jornalista, a "responsabilidade primeira" da situação é do Presidente da República. "Ele [Jorge Sampaio] não percebeu o tipo de gente a que deu posse", explicou, salientando que "o problema não está na composição política do Governo" mas sim "na gente de Santana Lopes". "Ainda nos arriscamos a ter o Governo governado por João Líbano Monteiro", afirmou. (João Líbano Monteiro é o proprietário da agência de comunicação de onde saiu João Paulo Velez, o principal assessor de imprensa do primeiro-ministro).

Jornalistas da TVI pedem esclarecimentos

Pouco depois de conhecida a decisão de Marcelo começou a circular na redação da TVI um abaixo-assinado dos jornalistas que pede esclarecimentos ao presidente da empresa, Miguel Paes do Amaral. No texto regista-se estranheza pelo facto de Marcelo ter saído dois dias depois de o ministro dos Assuntos Parlamentares ter exigido a intervenção da AACS para impôr contraditórios aos comentários do professor. Também é salientado que, na declaração que fez à Lusa a anunciar a sua saída, Marcelo deu a ideia que pode não estar garantida a liberdade de opinião e informação na TVI.

Sindicato quer Paes do Amaral no Parlamento

Ontem, ao fim da noite, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) emitiu um comunicado censurando veementemente as declarações do ministro dos Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva, em que este criticou as prestações de Marcelo na TVI e exigiu à Alta Autoridade para a Comunicação Social que actuasse no sentido de impôr o contraditórios aos comentários do professor.

Face à saída de Marcelo da TVI, o sindicato considerou que a subcomissão parlamentar de Comunicação Social deve chamar o ministro bem como o presidente da Media Capital, Miguel Paes do Amaral, "a fim de apurar a exiostência de pressões". "O SJ considera urgente o cabal esclarecimentos das razões e das circunstâncias que levaram à alegada renúncia do comentador, de forma tão abrupta quanto inesperada e no contexto em que ocorre", lê-se ainda no comunicado.

Mais do Prof. 1

Patrão da TVI queria Marcelo Rebelo de Sousa mais moderado nas críticas

Luciano Alvarez, João Manuel Rocha, Helena Pereira

PÚBLICO

"Na sequência de conversa da iniciativa do presidente da Media Capital, Miguel Paes do Amaral, decidi cessar, de imediato, a colaboração na TVI, a qual sempre pude livremente conceber e executar durante quatro anos e meio." Com esta curta declaração à Lusa, Marcelo Rebelo de Sousa anunciou a sua saída da TVI, onde fazia comentários ao domingo desde 13 de Maio de 2000.

A ruptura entre Marcelo Rebelo de Sousa e o patrão da TVI ter-se-á consumado terça-feira à noite, durante um jantar em que Miguel Paes do Amaral procurou convencer o comentador dos domingos a moderar o tom das suas críticas ao Governo e a Santana Lopes. Pelo que o PÚBLICO apurou, o jantar entre os dois velhos amigos correu de forma desagradável e, apesar do homem da TVI ter tentado convencer Marcelo a fazer ainda o comentário do próximo domingo, o ex-líder do PSD decidiu anunciar ontem mesmo o fim dos seus comentários,

Antes do jantar não seria intenção do professor abandonar a cadeira do comentador, até porque já prometera responder no programa às controversas declarações do ministro dos Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva.

A escolha deste momento não terá sido alheia às declarações de Rui Gomes da Silva, já que estas davam a Marcelo, que estava indisponível da abdicar da sua liberdade crítica como comentador, a oportunidade de surgir no papel de vítima, isto é, de alguém cuja saída da TVI fora provocada por pressões do Governo.

O PÚBLICO sabe porém que entre os accionistas da TVI havia quem não gostasse do tom dos comentários de Marcelo, uma vez que o grupo Media Capital está interessado noutros negócios cujo desfecho depende directa ou indirectamente do Governo. O desenlace dessas negociações, nomeadamente com o Grupo PT, poderia depender da estação ser mais ou menos crítica, nos seus espaços informativos, relativamente ao Governo.

A decisão de Marcelo e as declarações de Rui Gomes da Silva, assim como o ambiente vivido em muitos grupos de comunicação social, estão a causar inquietação em Belém, onde Jorge Sampaio segue com atenção os recentes desenvolvimentos. Ontem mesmo o Presidente falou ao telefone com Marcelo Rebelo de Sousa, mas antes deste tornar pública o abandono dos seus comentários. A situação criada é vista com tal gravidade entre os conselheiros do Presidente que, ontem à tarde, uma das hipóteses que se colocava era a de chamar Marcelo a Belém, para conhecer de viva voz a sua versão dos acontecimentos e, também, proporcionar-lhe uma oportunidade para prestar mais declarações aos jornalistas.

Media Capital desmente "pressões políticas"

A direcção editorial da TVI foi totalmente apanhada de surpresa com a saída de Marcelo Rebelo de Sousa do canal, após este se ter reunido com o presidente da Media Capital, Miguel Paes do Amaral. José Eduardo Moniz, que regressa hoje de Cannes, foi o responsável pela contratação de Marcelo e nunca escondeu o apreço pelo ex-líder do PSD. Pelo seu lado, o grupo Media Capital, proprietário da TVI, afirmou que "esta decisão foi da exclusiva responsabilidade do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, tendo sido recebida com surpresa por parte da TVI - e do próprio engenheiro Paes do Amaral". Segundo um comunicado divulgado ontem à noite, o grupo "lamenta mas respeita" a decisão e reafirma que os seus órgãos de comunicação continuam a ser norteados por princípios de "total isenção, independência e rigor". Em declarações ao Jornal Nacional da TVI, Paes do Amaral garantiu que "obviamente não houve nenhuma pressão política". O presidente da Media Capital disse que tenciona reafirmar a Moniz a independência da estação.

Múltiplas reacções governamentais

O Governo reagiu por múltiplas vozes, a começar pela do primeiro-ministro. À saída, ontem à noite, de uma reunião com o grupo parlamentar, Santana Lopes disse que gosta de "liberdade" e que "não se pode fazer qualquer sugestão de que qualquer espaço de intervenção possa deixar de existir". Recusou ao mesmo tempo responder às críticas de Marques Mendes e Pacheco Pereira argumentando: "Só quem não me conhece". Antes, já Rui Gomes da Silva tinha dito que não se sente "responsável" pela decisão de Marcelo. Mais ou menos ao mesmo tempo, o ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento garantia que ligar a decisão do ex-líder do PSD às afirmações de Gomes da Silva é fazer "uma ligação abusiva".

Perante tudo isto, a Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) decidiu abrir um processo, tencionando ouvir todas as partes envolvidas.

Mais de um milhão via o professor aos domingos



O Jornal Nacional de domingo - dia em que Marcelo comentava a actualidade - tem uma audiência média sempre acima de um milhão de telespectadores, tendo ultrapassado, em 26 de Setembro, um milhão e meio (1.652.500), referem os dados da Marktest .

No domingo passado, 3 de Outubro, com 1.472.900 obteve o segundo melhor resultado das cinco últimas semanas. Os valores de "share" (quota total de aparelhos sintonizados numa estação) têm estado sempre acima dos 30%, chegando a atingir os 39,5% (no domingo passado) e a ultrapassar a marca dos 40, com 41,8% no domingo 26 de Setembro.

Em relação ao número de pessoas que contactaram com o Jornal Nacional, ainda que por um único segundo, os valores das últimas semanas oscilaram nos últimos tempos entre os 3.128.000 e os 3.742.000. O Jornal Nacional de domingo tem-se posicionado nos três primeiros lugares do "top" dos programas mais vistos, normalmente acima das posições dos dias de semana.

Cátia Candeias


06/10/04

Debate na AR

O que está a acontecer neste momento na Assembleia da República é hilariante e deveria ser obrigatório ser visto por todos os portugueses. Não sei se é táctica da Sra. Ministra da Educação, mas a forma como se espalha em todas as vertentes e as desculpas e os trejeitos constantes, transformam a assembleia numa espécie de plateia de stand up comedy e isso faz com que os deputados sejam piedosos na forma como se lhe dirigem. Não há palavras para definir tal estado de coisas.

O Prof. foi à vida.

A Censura funcionou mesmo. Após o alarido feito pelo ministro Rui Gomes da Silva o Prof. lá cessou os seus comentários de domingo na TVI. Agora era bom ouvir as razões apontadas por Marcelo Rebelo de Sousa para abandonar, numa altura destas, aquilo que faz há 4 anos e meio.
De uma coisa não há dúvidas: -Este governo não aprecia quem esteja em desacordo com os seus disparates.

02/10/04

E lá vou eu...

Está calor, está verão ainda. Vou desopilar (?). As miudas estão em pulgas e no próximo fim de semana é a festa dos 25 anos e não podemos sair de cá.
Vou para os caranguejos, para as ameijoas, lamejinhas, cadelinhas e para o vinho branco. É pena que lá não haja o vinho da "Cova Funda" ao qual chamamos o vinho da felicidade, mas há muito ar e gente bonita e sã. Ontem tive a fazer refeições e depois fui para o estúdio com a Joana e as amigas que querem fazer um grupo de hip-hop. Estive também a driblar assédios que é um desporto que me obrigam a praticar muito no pós-verão. Agora vou-me entregar às crianças e procurar fazê-las felizes. Inté...