20/10/04

Lá começam eles.

Falta cerca de um mês para o julgamento do tal "Caso Casa Pia". Era esperado que mais tarde ou mais cedo começassem as pressões, os truques, as habilidades, os empurrões, as tentativas de manipulação, as coisas do costume. A imprensa dá destaque e os interessados vão inventando na tentativa de extrair dividendos. É normal e até aceitável, uma vez que os arguidos, os advogados, os juízes, as vítimas são usados sem qualquer acordo prévio pela mesma comunicação social. Quero eu dizer que se um orgão de informação utiliza a minha vida para conquistar audiências ou vender jornais, eu tenho o direito de os usar, também, para defender ou vender o meu produto. Isto não está legislado, como é óbvio, mas é tomado como natural e está apenas dependente da arte e da manha de cada um. Um exemplo poderia ser a presença de Avelino Ferreira Torres na chamada quinta das celebridades, os media fartaram-se de nos mostrar a agressividade do Sr. e este meteu-se na quinta usando os media para mostrar que é um cordeirinho. Ok, porreiro, parece-me justo. Claro que isto não nos vai fazer achar que a "bicha Presidente" não é agressivo ou não é cordeiro.

Mas voltemos ao caso Casa Pia, a que propósito o Sr. Procurador Geral da República vem num colóquio em Badajoz, falar de uma forma revoltante, à luz do direito, de um processo a um mês do seu julgamento? Foi coincidência? Foi sem querer? Porque é que este Sr. nunca diz nada quando lhe pedimos e de repente fala para o ar, com o maior despropósito, quando era preciso estar calado?
Souto Moura, recorde-se, não é arguido, nem juíz, nem advogado, nem vítima neste processo, ele deveria ser o garante de que tudo se processaria na legalidade, calma e justiça. Como pode o PGR acusar alguém de estratégias, pressões, quebras do segredo de justiça, etc... se é ele próprio que começa os incêndios?
Eu acho que Souto Moura tem preferência por julgamentos na praça pública e por isso força-os, não vejo outra razão.

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